sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O CHARME DA REUTILIZAÇÃO

O CHARME DA REUTILIZAÇÃO

MATERIAIS ORIUNDOS DE DEMOLIÇÃO AGREGAM SOFISTICAÇÃO AO AMBIENTE, A PRÁTICA PODE PERPETUAR A HISTÓRiA E, DE QUEBRA, AJUDAR O PLANETA

Os materiais oriundos de demolição mudaram de status: deixaram de ser restos ou algo difícil de recuperação para se tornarem utensílios que agregam sofisticação. Contudo, a aplicação de janelas antigas, azulejos históricos e grades de madeira de tempos idos dependem de criatividade, além, é claro, do objetivo de quem encomenda o projeto. Afinal, não somente o desejo de perpetuar a história está por trás do anseio de reutilizar objetos, mas também a consciência ecológica de quem se preocupa em gerar menor impacto ao planeta.

“Resgatar peças antigas e reaproveitar materiais de demolição, além de ser uma proposta ecológica, significa valorizar uma história. Os objetos vão ganhando outros rumos e novas lembranças são agregadas ao que seria descartado”, opina Humberto Macêdo, arquiteto especializado em reutilização de materiais.

À revelia das motivações, o fato é que o reuso dos despojos de demolição é uma tendência que. em geral, é utilizada por apreciadores e conhecedores de arte, explica Macedo. “A sensibilidade permite a utilização de peças de demolição nos projetos. Mas a maioria ainda prefere utilizar o que o mercado impõe”, diz ele.

Contudo, uma percepção mais refinada não é garantia de um bom projeto. Segundo o arquiteto, ter a consultoria de um profissional é essencial para garantir a harmonia entre as peças restauradas e as atuais. ‘É necessário prever cada tem que será usado. As peças vão compor uma história e precisam combinar entre si”, observa.

A busca de um lar que unisse a paixão pelos objetos antigos e o desejo de viver em harmonia com o meio ambiente norteou o arquiteto ao desenvolver o projeto da atriz e professora de teatro Mariza Vargas. Em principio, a proposta arquitetônica levou em consideração não somente a dinâmica do terreno, mas valorizou também as árvores que ali estavam — incluindo um abacateiro que foi integrado ao plano arquitetônico. Além disso, muitos dos materiais usados na construção da casa de 117 metros quadrados são oriundos de demolições. Entre eles, as grades que decoram as janelas e um grande azulejo antigo, retirado de um cinema fechado em Pirapora. Minas Gerais, mas que agora está no chão da sala de estar da atriz. “E uma casa interessante, despojada, que tem estilo. Foi uma solução inteligente e criativa, sem ser cara”, conta a proprietária.

A mesma paixão pelo belo despertou na artista plástica Tereza Pereira o desejo de integrar peças antigas e restauradas à re forma da casa onde mora. ‘Desde menina coleciono arte antiga. Sempre gostei de pensar na história de cada objeto”, ressalta. Na sala de estar da casa no Lago Sul há um portal garimpado na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, que divide os ambientes. As janelas e a porta de demolição — de origem colonial são detalhes que enriquecem ainda mais a casa da artista.

À PARTE

A despeito dos modismos do mercado arquitetônico, a aplicação de madeira na decoração possui forte apelo entre os arquitetos e decoradores, cuja preferência é notada nas exposições e mostras de decoração em que se usam materiais de demolição.

Utilizada de várias formas, esse tipo de madeira geralmente é retirada de casarões antigos e, após receber o devido trata mento, transforma-se em mesas, bancos, aparadores dentre outros objetos. Mas para ganhar nova utilidade é preciso ser madeira de lei, ensina Macêdo. Dentre as preferidas estão o lpê, a Arueira e o Jacarandá. “Além da qualidade, o produto torna os espaços mais aconchegantes e bonitos, coordenando harmoniosamente o rústico com o moderno”, ressalta.

QUESTÃO DE GOSTO

Encontrar despojos nas demolições com fins de decorar um ambiente pode ser trabalho árduo na capital federal. Com construções recentes, linhas modernas e materiais que priorizam o estilo minimalista, Brasília não oferece edificações com mate riais que possam ser restaurados e usados para esse fim, Sair à caça de peças. então, é a solução, que, talvez, explique a paixão de alguns por objetos oriundos das suas cidades de origem. “Cada peça que a pessoa escolhe carrega um pouco de sua história, seus desejos e sua personalidade”, pontua Macêdo.

E ainda que em alguns casos as demolições simbolizem o fim de uma história, em outros elas podem perpetuá-la, uma vez que as casas derrubadas pelo tempo ou pelo homem podem em prestar telhas, pisos, tijolos, janelas e portas a novos projetos.

Os custos da empreitada são variados. O material de demolição de construções recentes tem preços mais acessíveis. Já os componentes de casas antigas, de mais de 100 anos e com estilo antigo — o barroco, por exemplo — é mais valorizado. Existem até lojas especializadas que vendem esses produtos em seu estado original ou restaurados. Veja no quadro as dicas para encontrar esses materiais.

ONDE ENCONTRAR

PEÇAS DE DEMOLIÇAO

Em lojas especializadas que vendem materiais de demolição em seu estado original ou já restaurados. Outra opção são lojas que criam mobiliário a partir do material de demolição, como cadeiras e mesas feitas com a madeira do piso de uma casa demolida. Você pode ainda comprar os materiais em antiquários.

A ESCOLHA DAS PEÇAS

As lojas devem informar a origem e a qualidade do material. Uma dica é sair à caça dessas preciosidades na companhia de um profissional especializado no assunto, como um engenheiro, arquiteto ou restaurador.

A RESTAURAÇÃO

Se você comprou uma peça em seu estado original e deseja recuperá-la, saiba que a maioria das lojas que vende também faz o trabalho de restauração. Agora, se você mesmo decidiu dar um trato no objeto, peça antes a orientação de um profissional que entenda do assunto, como um arquiteto ou restaurador.

O PROJETO

Avalie se a peça antiga cabe no espaço de que você dispõe e se há necessidade de fazer uma reforma em sua casa. Estabeleça no projeto o lugar e as peças que você deseja utilizar, para que tudo fique em harmonia.

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